sábado, 8 de abril de 2017

Relações


        Hoje com meus quase 29 anos, me sinto muito mais incomodada e violada, com pessoas que só buscam o outro na hora da necessidade, há um tempo atrás deixaria passar fechando os olhos, mesmo assim sentindo de maneira sutil, a indiferença do outro, a falta de gentileza, a ausência do pedido de perdão, a grosseria da necessidade alheia de querer que você se torne outra pessoa, hoje como forma de grito e de rasgar minha alma, me recuso a ser usada, a ser manipulada, a deixar a emoção falar mais alto ao ponto de me diminuir e limitar minha vida para que o outro tenha mais uma oportunidade de mudar ou de seguir igual, como queira, tanta ingenuidade minha pensar que por muito do meu esforço ajudaria alguém a sai de sua zona de conforto, note bem, não quero que mude sua essência, sua personalidade, somente que seja independente, que seja prático, pro-ativo, que viva de acordo com sua realidade,que seja feliz.
        Simplifique as coisas, seja você, é um processo longo e as vezes doloroso, alguns só com terapeutas para conseguir se enfrentar, mas estou aprendendo com Nietzsche que disse, "e se aprendemos melhor a nos divertir, esquecenos-nos melhor de fazer os outros sofrerem e de inventar mais dores".

           Não somos obrigados a nada, amo essa frase de paixão, ninguém pode forçar o outro a te amar, a está contigo, por sangue ou por simpatia, a vida acontece, muito mais fácil culpar o outro pelo seu insucesso, como se a vida nos devesse algo. Espero que consigamos sai desse lugar da vítima e que cresçamos.

         Para fechar esse grito/desabafo cito o mesmo louco, Nietzsche, "o silêncio é pior: todas as verdades reprimidas tornam-se venenosas".Vamos ser sinceros, a vida é curta, não conseguimos representar por muito tempo, em tempos de atos desumanos, o mais difícil é ir contra essa corrente, e continuar amando, com um amor que aproxima, que se preocupa, que não usurpa, que não abafa, mas que liberta, ....Fica a Dica!
Suy Melo

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Motoqueiros (as)

      Conexão, essa palavra me encanta, o poder que ela transmite que pode ser chamada também de identificação, sensação de pertencimento, percebi que isso acontece entre os motoqueiros, não sei se em todas as grandes capitais ou nos interiores. Todavia, talvez você seja um “motociclista” ou “motoqueiro”, descobri que existe uma diferença de classe entre essas palavras, a primeira seria o seguimento dito mais correto, dentro do padrão de segurança, que fazem parte de moto clubes, enfim, a segunda seriam os loucos que andam zigue zagueando por esse transito caótico, muitos com pressa para fazer a entrega no prazo ou simplesmente correndo para não perder tempo, veja bem, não me entenda mal, não existe um melhor ou pior, são simplesmente definições, creio que tenha sido um pouco tendenciosa, pois me sinto conectada aos motoqueiros (as), independente da forma como você anda de moto no transito, se atrás do carro sempre ou pelos corredores imaginários nesse transito de Fortaleza ou qualquer outra cidade, espero que já tenha se sentido parte do grupo...
         Sabe aquela situação em que você se sente prejudicada de alguma forma e do nada aparece uns três buzinando ou gritando te defendendo, dando voz, pessoas que nem ao menos se conhecem, já tive alguns dias assim, hoje foi um desse, que quando acontece sempre me faz rir, acho linda essa possibilidade humana de esta ligada ao coletivo, naquele instante você não é só um, mas são vários, uma representação. Indo para a faculdade pela BR116, uma Hillux  me corta, saindo da faixa direita para a esquerda, sem da sinal de pisca e de maneira abrupta, passando muito perto e me assustando, reagindo organicamente me afastei para a esquerda, segundos de reações, coloco uma mão na coxa, respiro e balanço a cabeça, como sinal de reprovação, gesto universal, de balançar a cabeça de um lado para o outro, que com o capacete se torna bem maior, muito comum de ver entre os motoqueiros.
          Muito rápido, aparece um motoqueiro do meu lado abrindo um dos braços e balançando a cabeça também, olhando para mim, balbuciou algumas coisas, estava com uma carona que também balançou a cabeça confirmando a mensagem, que me chega como, estamos aqui e também passamos por isso, que é um absurdo, como tem gente sem noção ou algo assim. O motorista do carro coloca a mao para fora do carro e acena, eu nem cheguei a buzinar, geralmente não faço isso, sempre aparece um outro motoqueiro que buzina..kkk!Algumas vezes eu dou só um grito, mas hoje parece que meus demônios estavam adormecidos, tive uma boa noite ontem, deve ter sido isso, voltando ao assunto, ele deu o velho sinal de legal e uma buzinada amistosa, respondi com um legal tambem, já estava rindo, desde quando o colega motoqueiro tinha aparecido, tudo isso muito rápido, mas que me fez querer escrever sobre tudo isso, como é lindo quando vemos pessoas estranhas se ajudando.
       Outro caso que não esqueço se passou na BR116 tambem, fiquei sem gasolina a noite voltando para casa, estava empurrando a moto e ainda longe de qualquer sinal de posto, quando um motoqueiro diminuiu a velocidade e ficou próximo de mim, o meu lado acostumada com a violência e assaltos, já se prepara para entregar tudo que tinha e a moto se quisesse, a bixinha (moto) já sofreu tanto nas mãos dos outros, mas é resistente..rsrsrsr!!Enfim, quando o cara encosta e me pergunta se era falta de gasolina, respondo que sim, ele desce da moto, puxa uma mangueira da mochila dele e chupa a gasolina do tanque dele para o da minha motinha,nossaaa, não soube o que pensar, agradeci muito, ele foi embora e eu consegui chegar no posto e finalmente em minha casa.
          Loucura senti uma ligação por uma ação de estranhos, ajudar e ser ajudado causa sensações muito boas, por mais conexões reais, por parar um pouco mais e rir das coisas bobas do transito e da vida. Poderia falar aqui tambem das coisas bizarras que já vi dentro dos carros, acho que os motoristas pensam que se tornam invisíveis ao entrar dentro dos seus carros, mas isso pode esperar para um próximo texto, quando a necessidade de  escrever aparecer de novo.
  Suy Melo